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terça-feira, 9 de maio de 2017

Forever on vacation








Vir morar nos Estados Unidos foi realizar um sonho: sempre que vínhamos para ca, eu idealizava essa vida de parques da Disney, compras em outlet e férias eternas que, obviamente, não necessariamente condizem com a realidade. Mas isso não quer dizer que, de uma forma ou de outra, acabamos vivendo constantemente de férias... Enumerei algumas razoes por que me sinto assim:

1) Paz
Sempre que conversamos com amigos, temos essas noticias cabeludas do Brasil, de pessoas que sofreram atos de violência: assaltos, sequestros ou até mesmo, assassinatos. Isso, por si so, ja nos deixa extremamente tristes, mas existe a outra violência, meio que indireta: a de estar sempre atento para que nenhuma dessas coisas aconteça. Sao prédios com porteiros e portas de garagem modificadas para segurança, cameras por todas as partes, olhar varias vezes ao seu redor antes de entrar no carro, sair do carro, ir ao banco, sair do banco, ir na padaria, sair da padaria... Eu sei que a gente se habitua, mas não deveríamos. Esse é o tipo do costume que eu não faço questão de ter mais na minha vida... Ter essa paz me da uma sensação de "descanso" - bem parecida com aquelas férias despreocupadas na beira da praia ou num friozinho da montanha...



2) Tempo
Eu sei: tempo passa igual pra todo mundo. Mas aqui, por causa de umas praticidades do dia-a-dia a gente acaba tendo mais tempo. Seja porque as estradas são melhores, e voce chega do ponto A a B mais rapidamente; seja porque os supermercados tem opções ilimitadas com preços justos; enfim, como falei inicialmente, sei que o tempo passa igual em todos os cantos, mas a gente simplesmente consegue fazer mais coisas. Quem ja veio aqui, sabe a alegria que é chegar no Walmart e fazer compras - de eletrônicos, cosméticos, roupas ou qualquer outra coisa - a qualquer hora. Pra quem é capixaba, isso tem um peso ainda maior, ja que o comercio não abre aos domingos e feriados, limitando os horários para conseguir fazer coisas básicas...  Sabe quando a gente esta de férias, sem pressa, e tem a oportunidade de ir comer tarde, ou ficar "na rua" batendo perna, vendo vitrines, sem se preocupar com a hora? Pois é...




3) Dinheiro
Na mesma categoria de tempo - dinheiro é dinheiro. A diferença é o que o dinheiro pode comprar aqui é diferente do que o dinheiro compra no Brasil: voce não precisa de uma renda ridiculamente absurda pra ter o carro do ano, uma casa nova, uma vida digna... Claro, muito da questão financeira depende de cada um, porém não é justo que no Brasil voce compre uma garrafa de vinho 300% mais cara que a mesma garrafa aqui... Ter um orçamento é parte das férias (pelo menos, das nossas férias - não temos fundos ilimitados!) - e viver aqui, parece um pouco isso: sei exatamente quanto as coisas custam, custaram e vão custar... Da pra se planejar e gastar, sem medo...



4) Diversão
Ok, o Brasil é bem divertido. Em Vitoria, tive alguns dos fins de semana mais divertidos da minha vida - desde participar de enduros de aventura, passear de barco, encontrar com amigos no Abertura e por la ficar horas e horas e horas... Mas aqui também fiz muitas dessas coisas (menos Abertura rs): participei de meia-maratonas e outras corridas lindas e divertidas, passeio de barco (uns ate bem grandiosos, desses que da pra dormir dentro enquanto conhecendo as Bahamas, Grand Cayman, Mexico...) e, fora os parques da Disney, Universal e outros... Lógico, não é o estilo de todo mundo, mas pra quem gosta, isso aqui é o paraíso. Mas o mais louco, é que essas atividades não são raras ou sazonais - são coisas que podemos fazer sempre, e isso da um gostinho especial...

Muitas dessas coisas, tem a ver com o estilo de vida, mas entre os itens e razoes acima, e os passarinhos cantando no meu quintal, eu pessoalmente me sinto constantemente de ferias.












quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Relax






Estou acompanhando os acontecimentos no Espirito Santo, e entre a onda de violência e a sensação de que as coisas não melhoram (nunca), da pra perder um pouco a alegria de viver... Como minha familia sempre esteve envolvida na area de segurança, saber que o potencial para algo assim acontecer (na escala que esta acontecendo) sempre foi um fato sabido na nossa casa. Mas isso não soa como novidade para nenhum de nos: sabíamos que nas periferias a coisa sempre esteve tensa... A diferença é que não chegava na area onde vivíamos da forma como chegou agora... Apesar de ser normal ouvir sobre sequestro relâmpago, assaltos, e ate um ocasional assassinato nas vizinhanças mais nobres de Vitoria e Vila Velha num fim de semana, isso não era nada se comparado com o que acontecia na Serra, Cariacica, Viana no mesmo período de tempo...

Enfim, o fato é que agora esta todo mundo trancado em casa: o comercio esta fechado, as escolas não estão funcionando, etc... E não é legal alimentar o medo: apesar da terrível realidade, o melhor é  manter a calma, mentalizar um mundo melhor, pensar no que (NOS) podemos fazer (individual e coletivamente) para mudar essa realidade...

Existe uma expressão em ingles chamada "cabin fever" que traduz-se com a idea de que as pessoas que ficam muito tempo confinadas, as vezes ate se adoentam, porque estão em espaços limitados, sem poder sair... E se as coisas ja estão ruins do jeito que estão  ainda por cima ficar doente não seria legal...



Eu, que sou chegada numas praticas zen, estou com Frankie e digo: relax



Não relax no senso "deixa pra la". Mas relax no sentido "mantenha a calma", "mantenha o foco", "mantenha o centro".

E o que fazer para RELAX??? Well, segue uma listinha de coisas que acho que ajudam:


1) Ouça musica

Eu sei que nem toda musica propicia um relaxamento profundo (alo alo Iron Maiden!), porem existem varias trilhas sonoras que te ajudam a respirar, que tiram sua mente das incertezas do momento... E não estou falando so de Enya, Yanni, e musicas de meditação não... Tem muito MPB do relaxamento por ai... Chorinho por exemplo: eita sonzinho bom pra deixar a mente vagar... Eu sou fa incondicional da trilha sonora do Amelie Poulain: fica na minha categoria "musica que deixa tudo mais fácil"

Claro, e quem sabe, faz ao vivo: pega sua viola (ou outro instrumento musical que vc saiba tocar) e deixe rolar!

Uma favorita da trilha sonora de Amelie



2) Alongue

Eu poderia simplesmente colocar "pratique yoga". Porem muita gente se perde no conceito da pratica, então vou dizer simplesmente: alongue. Estica e puxa: em pe, tente colocar a mao nos pés. Respire fundo enquanto em pe, expire quando for tentar abaixar... Va tentando chegar mais longe... Colocar toda a palma da mão no chão... Não é fácil. Ou simplesmente, renda-se a pratica:




3) Jogue um jogo

Se eu pudesse, passaria varias horas do dia "brincando". Adoro uma trivia, um quebra-cabeça, jogo de tabuleiro... Se voce não tem NADA em casa, da pra fazer uma a-de-do-nha com papel e caneta. Ou da pra baixar aplicativos de jogos no celular (como o TESTA ME). Ou se voce tiver aquele quebra-cabeça de duas mil pecas esperando uma oportunidade, well, voila! Chegou a sua vez!





Outras atividades, técnicas e opções, existem. Essas 3 são  normalmente as minhas primeiras escolhas quando preciso descansar a mente, e prepara-la para outras coisas que vão exigir de mim atenção e foco. E não se enganem: após essa "tempestade", muitas mudanças terão que acontecer, e elas dependerão dos esforços de cada um... Mas enquanto esse momento não chega, just breathe...


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sobre as tragedias e seus pesos

Eu nao gosto muito de falar desses assuntos por aqui, mas considerando o que aconteceu com o avião do Chapecoense, me senti compelida a fazer uma nota rápida...



Fiquei muito triste com a noticia, senti o mesmo vazio que senti no dia que acordei com as noticias do ataque a Pulse. Apesar de serem duas tragédias com causas diferentes, a perda de vidas assim, tao brutalmente, tao de repente, me da uma tristeza imensa.

Porem, uns dias atras, soube também que um helicóptero da policia foi abatido por traficantes no Rio... 



Eu fiquei em choque - e com medo do que viria depois, ja que sinto que se algo do género acontecesse aqui nos EUA ia ser guerra: não iam deixar ninguém impune, os jornais iriam noticiar isso o tempo todo, mobilizações, indignação, enfim, uma serie de atitudes extremas seriam tomadas.

Confesso que nao sei exatamente o que esta sendo feito com relação a isso: não vejo muitas noticias sobre o assunto, não vi ninguém postando no Instagram mensagens de condolências, ou fazendo homenagens - as vezes no Brasil ainda esta rolando, e eu que daqui não estou tendo acesso. Mas se as coisas ainda são como eram na época em que eu morava ai, isso é "apenas" MAIS UM CASO DE VIOLÊNCIA.

Nao quero desmerecer nenhuma outra tragédia, sinto muito do fundo do meu coração pelo que aconteceu com o time, a imprensa e tripulação do avião que caiu. So queria chamar a atenção pra o que eu sinto ser uma banalizaçao continua da violência no Brasil - e as consequências terríveis que isso pode trazer a longo prazo... Pois se achamos que esta ruim agora, eu tenho um pressentimento que ainda pode ficar pior...


terça-feira, 10 de maio de 2016

Energias renovadas!

Sabe aquela hora da vida que vc esta precisando de uma recarregada? Pois é... Acabei de receber a minha recarga, e sinto que agora sim, estou 100%!

Tropicalia Energetica!

Acabei de chegar do Brasil, de férias!!! E notem: férias mesmo... Ja fui ao Brasil algumas vezes desde que mudei pros EUA, mas essa foi a primeira vez que tive tempo de curtir alguns dias sem nenhum tipo de compromisso... E gente, que diferença!

Temos todo o tempo do mundo...

Ir ao Brasil como turista são outros 500: apesar de ja ter viajado pelo país enquanto residente, essa foi a primeira viagem turística como americana. E, sim, encontrei algumas coisas que não gostei, nem tudo foi perfeito, mas cheguei em casa descansada e feliz por ter escolhido o Brasil como destino.

Turistamos mesmo! Com direito a visita a fabrica da Baden Baden!

A primeira parte da viagem, em São Paulo, envolveu um casamento e alguns compromissos familares, que também foram lúdicos: almoço na casa do primo, jantar na casa da tia, etc. E vamos combinar: por mais divertido que seja, compromisso é compromisso. Tanto é que fora os esparsos selfies no casamento, não tem nenhuma foto do nosso período por la!


Love rocks!

A segunda parte da viagem envolveu uma visita breve a Campos do Jordão, de alto cunho emocional – as cinzas do meu sogro estão la – e mesmo assim, ja comecei a me sentir “de férias”, com a lindíssima ambientação e clima da cidade. Campos do Jordão é a típica cidade que gostaria que fosse mais perto, pra poder visitar mais vezes.

No Anel Viario "Nidia Arantes Ventura" - escultura comissionada pelo pai do Con em homenagem a mae dele ©


Na area externa do hotel Vila Inglesa

E no salao de jogos, na area interna do hotel - fez 5 graus nessa noite! FRIO!!!

E por fim, a terceira parte da viagem foi na Bahia. Fomos para a Costa do Sauípe e foi muito, muito, muito bom. Sentar na praia, contemplar o mar, comer e beber dos sabores brasileiros... Demais!


No tabuleiro da baiana tinha: vatapa, acaraje, cocada, doce de tapioca e pe-de-moleque! YUMMY!

Nada nesse universo eh mais refrescante e/ou delicioso que agua de coco!

O resort deixou um pouco a desejar, sinceramente esperava mais. Mas não demorou muito para perceber que o maior problema deles não é estrutural, e sim o público: no esquema all-inclusive, com bebida liberada, as pessoas (brasileiras) exageram. E digo brasileiras porque ja me hospedei em resorts all-inclusive em outras partes do mundo, inclusive Cancun, que é destino de gente que gosta de uma festa, e nunca vi as cenas que vi em Sauípe. Uma pena...

A gente bebe tambem mas moderacao ne galera? Exagerar a dose em qualquer coisa nessa vida faz mal...


Mas isso não estragou nosso descanso, nem fez com que as férias fossem menos agradáveis – como disse no começo, estou recarregada! Acredito que estar no Brasil tem um poder energético-kármico-holístico, que só quem veio dessa terra consegue entender... Mas não necessariamente explicar ï


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Uma decada atras...

Procurando uma foto da Duquesa quando pequenininha, achei várias fotos da década passada...






Achei que valia a pena compartilhar, mas fazendo um paralelo entre o que eu estava pensando naquele momento e o que eu penso hoje...


Pensamento na época: adoro festa! Adoro carnaval! Adoro Asa, Ivette, Chiclete! Adoro cerveja! Preciso emgracer!


Pensamento hoje: adoro festa! Desde que eu consiga chegar em casa até umas 11:30 da noite... Adoro carnaval! To louca pra ver os desfiles do Rio esse ano, especialmente o que vai ter como tema o Zezé di Camargo e Luciano (o que posso dizer? É o amoooooor!). Adoro cerveja! Claro que não precisava emgracer...





Ocasião: festa de formatura da faculdade de Direito

Pensamento na época: vou ser uma advogada fodarassa e ao mesmo tempo fazer carreira acadêmica,e talvez, quem sabe, ser diplomata... Preciso aprender mais idiomas e viajar mais. E preciso emagrecer.

Pensamento hoje: advocacia é pra quem ama o ofício de paixão, pois é uma das profissões mais difíceis e desafiadoras. Eu tinha um corpo lindo nessa época, malhava direto e jogava squash. Fora o bronzeado natural de quem morava na praia...




Pensamento na época: não acredito que consegui me formar numa faculdade federal depois de tantas greves! UHU!!!! Preciso aprender mais idiomas e viajar mais. E preciso emagrecer.

Pensamento hoje: a faculdade de Letras abriu tantas portas, se eu soubesse teria feito todas as minhas especializações e estudos voltados pra isso. Como eu tinha acabado de chegar de férias de Orlando, estava mega feliz e... gordinha... 




Ocasião: primeira vez nos EUA como guia da Tia Penha


Pensamento hoje: não acredito que consegui um trabalho desses! AMO FAZER ISSO!!! WOW!!! (e preciso emgrecer!)


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Mamma Mia!

Estamos aqui, recém chegados de viagem, cheios de histórias pra contar, muitas fotos pra mostrar, mas após muita ponderação a conclusão é pegar leve e não fazer do blog uma homenagem única e exclusiva a Italia (apesar de merecer...)

Gente!!! Esse lugar MARAVILHOSO existe!!!

Como não consigo conter a empolgação pós-viagem, vou falar da Itália, mas acho que não é bem sobre o que você está pensando...

A Italia não está super bem das pernas. Já há algum tempo, o país vive uma crise econômica séria. O governo de lá é mundialmente reconhecido pela corrupção. Eles são considerados “inferiores” dentro da União Européia, e seu espaço no cenário mundial... bem, digamos apenas que eles definitivamente perderam aquela estrutura gloriosa característica do império romano.

Um pedacinho do que sobrou...

Como estávamos passeando e visitando amigos, tivemos a oportunidade de ouvir de muitos deles suas opiniões pessoais sobre o que acontece hoje na Itália. E o que me chocou, de deixar o queixo cair mesmo, é quão interados sobre a saúde do país todo mundo está. Não interessa muito a camada social, a filiação partidária, o atual endereço de residência – os italianos tem um orgulho enorme do país, porém não se trata de um bando de iludidos: eles sabem a situação que enfrentam, e a maioria, tem um posicionamento E ATITUDES coerentes sobre o assunto. 

Detalhe: estávamos sempre num contexto 50% - metade dizendo SIM, metade dizendo NÃO. Tudo regado a um bom vinho e uma comida melhor ainda.



Só lembrando que a Itália, enquanto país Italia mesmo, é um país novo. Bem mais novo que o Brasil. A unificação dos territórios aconteceu em meados de 1800... Pra sentir essa emoção, só juntando a Argentina, o Paraguai e o Uruguai ao Brasil e chamar tudo de Cabralia. Nesse novo país fictício, os Cabraleses terão que, de comum acordo eleger um novo presidente (na verdade, eleger todo um novo poder executivo); decidir sobre as regras econômicas, incluindo uma nova moeda comum; escolher uma nova lingua, comum para todos os povos...

Esse monumento honra o cara que decidiu unificar tudo... Vittorio Emanuele II

Foi isso que aconteceu na Italia, pouquissimo tempo atras.
Isso tudo pra dizer que eu fiquei boqueaberta com a civilidade com a qual as pessoas tratam, e principalmente, discordam dos temas. Pessoas muito diferentes umas das outras, que tem avós e bisavós que pertenceram a outro país, criados com uma mentalidade totalmente diferente da realidade atual.

Ou voces acham que esses tres sairam do mesmo lugar?

O Brasil, que teoricamente deveria ser um país de iguais, ja que desde de 1500 somos parte da mesma coisa, se mostra no cenário mundial muito mais potente economicamente, mas é totalmente enfraquecido moralmente. A sensação que eu tenho é que não queremos ser iguais uns aos outros. 

As cidadezinhas italianas ainda carregam suas bandeiras cheias de orgulho, mas tudo com a compreensao de que hoje, fazem parte de algo maior...

Queremos ser super diferentes, e martelar na cabeça de quem discorda a nossa opinião. Fiquei triste de pensar sobre isso, pois é mais uma constatação fática de que solução para muitos dos problemas no Brasil existe, mas antes de mais nada temos que superar o nosso complexo de Cinderela em achar que tudo se resolverá se o candidato A ou B ou C for eleito (ou permanecer no poder). Príncipe encantado não existe!

Nope!

Mas uma corte encantada... de súditos encantados... ah... isso eu tenho certeza que sim! 


quarta-feira, 6 de maio de 2015

A esperanca e a ultima que morre... Ne?

Estive no Brasil 2 meses atras, em São Paulo especificamente, e exclusivamente a trabalho. Cheguei num sábado, então acompanhei os preparativos para a manifestação do dia 14 de março. Conheço muitas pessoas que participaram, não só em SP como em outros estados do Brasil – e todas elas querem uma mudança, e acreditavam que participar da manifestação mostraria isso, assim como o fora Collor dos idos dos anos 90.


Na segunda-feira, comecei minha jornada de visitas, e a cidade, continuou com seu ritmo frenético de negócios.  Durante a semana que seguiu, quase todas as pessoas com quem conversei exclusivamente de assuntos de trabalho me fizeram a mesma pergunta pessoal: “como você fez para conseguir o green card?”


Essa pergunta vinha seguida de uma explicação pessoal do gênero “tenho muita vontade de morar fora” ou “queria ir embora do Brasil” ou “adoro os EUA, queria morar la”.
Alguns só perguntaram se eu gosto de morar aqui. Outros queriam mais detalhes (detalhes mesmo) e outros se contentavam com a resposta padrão.


Como bons brasileiros, muitos abriram o coração e declararam seu amor pelo país, ao dizer como é um lugar especial, cheio de pessoas especiais, e com um estilo de vida muito legal. Como a gastronomia é inegualável (um post sobre isso será eventualmente escrito) e com opções de lazer abundantes.


Gente, concordo com tudo isso. Torço muito para que as coisas dêem certo. Não só pelo país ser fenomenal, mas tenho amigos e família aí, e o Brasil nunca vai deixar de ser o lugar onde eu nasci e vivi boa parte da minha vida. Mas pelo jeito não tá fácil pra ninguém... E se a oportunidade de ir embora se apresentasse, MUITA GENTE IRIA... Será que isso não é um forte indicativo de alguma coisa??? Alguma coisa do tipo “espero que melhore, mas não acredito que vá melhorar”?

segunda-feira, 9 de março de 2015

O que os brasileiros podem aprender com o tailgate

Vamos começar pelas definções básicas  (e ilustradas!)

Tailgate é isso:

Lembrem que “tail” em inglês significa “rabo”... logo, o “rabo” das caminhonetes que também é um portãozinho (gate) para facilitar a carga e descarga... 


E isso também:


Aqui o conceito de “rabo” é um pouquinho diferente... gente chata que fica sempre na cola...

Mas para os objetivos deste post, tailgate é uma festa que acontece antes de eventos esportivos, nos estacionamentos dos estádios, com comida, bebida, jogos, musica, tudo num estilo “acampamento de verão na Lagoa do Siri”:




Os torcedores tem a oportunidade de socializar, beber e comer sem ter que gastar fortunas com as comidas e bebidas dos estádios, e curtir aquele momento ao máximo, fazendo um verdadeiro “esquenta” antes da partida:



Ouvi que ontem o pronunciamento da Dilma causou grande comoção e polêmica, pelo que ela falou (ou não falou), e pelo panelaço que aconteceu durante/depois. Não quero e não vou me posicionar sobre os aspectos políticos da celeuma... Mas quero e vou me posicionar sobre o aspecto social porque acho que podemos aprender uma coisinha ou duas com o tailgate party americano...

Ontem, enquanto rolava o pronunciamento ( e o panelaço), nós estávamos tailgating pro jogo de abertura da liga de futebol dos EUA, e o jogo inaugural do time da cidade (onde o Kaká está jogando atualmente):



Todo mundo estava bebendo. Mas comendo também. E jogando futebol. E futebol americano. E frisbee. E brincando com as crianças.

O pessoal estacionado na nossa frente era de algum país onde falam espanhol. Podia ser Argentina. Ou México. Ou Colômbia. Todos rivais da gloriosa seleção brasileira de futebol. Eles sabiam que nós estávamos num grupinho de brasileiros (outras nacionalidades também, mas nossa festa tinha uma maioria brasileira). Num dado momento, eles pediram pra eu tirar uma foto do grupo deles, e eu o fiz. Quando nosso gelo acabou, eles perceberam, e nos deram extra. Nós tínhamos muita cerveja, então levamos algumas pra eles. Quando o ônibus dos jogadores passou, todo mundo aplaudiu e gritou Kaká. Quando entramos no estádio, junto com mais 62 mil pessoas, não teve empurra-empurra. Ninguém xingou ninguém. Ninguém foi desrepeitado por usar uma camisa da seleção argentina. Ou brasileira. Ou colombiana. Ou do time adversário (New York City F.C.)

Porém sei que o mesmo não ocorreu no Brasil ontem: as pessoas que se manifestaram, a favor ou contra o pronunciamento da presidente, as pessoas que escolheram participar ou não do panelaço, foram desrespeitadas. Teve empurra-empurra moral. Tá tendo ainda...

Penso que no Brasil existe uma dificuldade de expressão muito grande – essa camaradagem rapidinho se transforma em “comprar brigas” não pela simples defesa de um ponto em que se acredita, mas para defesa E ataque. Para causar uma comoção, um tremor de terra, uma baderna. E quase sempre de uma forma desrespeitosa. Fica difícil falar muito mais sem tomar partido, mas a lição que eu acho que precisa ser aprendida é que o seu vizinho pode torcer pro time adversário, e isso não deveria ser uma carta branca pra ele te ofender toda vez que o time ganha. Da mesma forma, você não pode agredi-lo quando o time dele perde. As pessoas tem seus próprios times, seus próprios pontos de vista, suas próprias crenças e costumes, que são  variados, e nem sempre coincidem com os nossos.  E tudo bem, isso não é, ou pelo menos não deveria ser, um problema. Acredite, manifeste-se, apóie seu time e/ou seu ponto de vista, mas o faça cordialmente, sendo não só educado, mas também atento a opinião alheia, para não tomar atitudes grosseiras, e gerar um conflito desnecessário...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

I must have been asleep for days...




Eu não quero perder nem ofender AZAMIGA mas vamos combinar: chega de Michael Kors.

Chega.

10 em cada 10 brasileiras que vem aqui compram algo do MK - bolsa, acessórios em geral mas principalmente, relógio.

Já falei disso antes, mas não aguento mais. Já sei os preços de cabeça (tudo tabelado, em qualquer loja), e a real é que eu acho esse um dos maiores micos coletivos da história da "moda" brasileira.

Primeiro: uma coisa é achar bonito e querer um. Outra coisa é ter porque todo mundo tem.

Eu pessoalmente adoro as coisas dele - é um grande estilista. O beachwear dele é di-vi-no. Também os relógios são bonitos, não estou dizendo que não são. Mas quando todo mundo junto acha bonito e quer ter um, tem algo suspeito no ar...





Há uma década e meia atrás, com 12, 13, 14 anos eu queria ter o que todo mundo tinha: mochila da Company, blusa do Hard Rock... Pode jogar rock que meu teto é de vidro e vai quebrar na minha cabeça - mas eu to preparada. Porque depois da adolescência eu desenvolvi um senso de self, e tenho meu próprio estilo, e faço o que eu quero e me dá na telha. Mas principalmente o que justifica minha opinião atual é que eu deixo de fazer coisas só por modinhas.

Como eu disse, eu acho o relógio do MK bonito. O que eu não acho bonito é todo mundo ter um. Me incomoda. Não quero ser radical, nem rebelde, só não quero ser do rebanho. Quando eu olho pro seu pulso e te vejo com o tal relógio, meu primeiro pensamento não é "nossa que rica e poderosa" e sim "mais uma". Em compensação se eu te vejo com um vestido do mesmo estilista, é muito provável termos o seguinte diálogo: "nossa que vestido lindo!" e vc diz: "obrigada! é do MK". Outra história. Entederam onde quero chegar?



Quero poder ser sommelier porque eu gosto de vinho, não porque tá na moda, é um hobby caro, dá status . E viajar porque está na minha alma ser viajante, não porque todo mundo está viajando, porque é símbolo de "poder" poder viajar. E gostar de ler porque eu amo ler desde pequena, não porque é bonito tirar uma de intelectual.
Sim, sou eu. FREE.