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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Coluna Vinhos e Gastronomia - Nossa Gente - Edição 126 - O Valor do Vinho




Pessoal!!!

Acho que nao precisa nem dizer que boa parte do sumiço é devido, 1) ao furacão Irma, 2) as celebrações de aniversario (viva eu!).

Mas nao podia de deixar registrado aqui, nosso mais recente artigo para o Nossa Gente, que esta bem reflexivo... 



Para ler a matéria, clique aqui.
Cheers!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O que te tira do buraco?




Sabe aqueles momentos que falta vontade pra tudo, que qualquer pedra no caminho parece ser uma falésia incontornável?

Pois é... to nessa...

Nao é aquela depressão profunda, mas ta batendo uma frustração, um bode pra tudo e todos...

Nessas horas, eu tento buscar aconchego nas coisas que sempre me ajudaram a sair do buraco: musica, livros, belezas...

Alias, eu tenho esse "label" aqui no blog - belezas. É assim que me refiro as coisas que inspiram e me animam e me fazem sorrir. Natureza? Beleza! Loja de decoração e de moveis? Belezas! Duquesa? GRANDE BELEZA!


Por-do-sol em Ko Pha Ngan? Grande "Grande Beleza"...


Com esse enfoque, e não querendo abandonar o blog, me esforcei pra vir aqui e dividir uma Grande Beleza - que é o poeminha abaixo:

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E - ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...  

Mario Quintana




E voce? O que te tira do buraco?





terça-feira, 13 de junho de 2017

O drama da musica que colou na cabeça...





Sabe quando uma musica "COLA" no seu ouvido, e você não consegue parar de murmura-la, canta-la, escuta-la na sua cabeça? Pois então, tive um "episódio" desses recente, com uma musica da minha infância, bem do meio dos anos 80... O detalhe é que a musica é cantada em inglês, e no meio dos anos 80 eu não falava inglês. E como fazer pra encontrar uma musica que so na sua cabeça faz sentido? Que vc reconhece o ritmo, a melodia, mas não consegue definir a letra?

Ja passaram por isso?

Eu enlouqueço quando isso acontece. Não descanso enquanto não acho a musica...

Essa canção especificamente foi um dos maiores desafios que ja encarei em termos de "pesquisas-de-musica-que-so-tem-sentindo-na-minha-cabeça" - foi tenso. Alem de não conseguir reconhecer nenhuma parte da letra, eu ainda tinha certo que o refrão falava algo do tipo:

"pa-pa-pa-pa-girl"

Assoviando a melodia pro marido, ele disse que ele sabia sim qual era a musica, e a versão dele era:

"pa-pa-pa-pa-pel"

Viram o mato sem cachorro ne?

Enfim, rodou, virou, mexeu, e depois de muito sufoco, achamos a musica. E obviamente, não é nem pa-pa-girl nem pa-pa-pel. É ba-ba-ba-ba-build:



Entenderam o drama?

E o mais interessante: pesquisando mais sobre a banda acima, descobrimos que o baixista, Norman Cook virou aquele a quem chamamos de Fatboy Slim... 

Que circulo da vida, não?




terça-feira, 6 de junho de 2017

No radar: The Leftovers





(***Antes de começar  queria avisar que esse post NAO contem spoilers - podem ler tranquilos***)



Precisei correr aqui pra falar sobre The Leftovers - a serie fantástica da HBO, dos mesmos criadores de Lost, que acabou nesse domingo.

Foram apenas 3 temporadas, 28 horas de muita doideira "a la" Lost: referencias religiosas, ocorrências fantásticas, e lições e mais lições sobre a natureza humana - sobre como lidamos com nossas emoções em situações extremas e inesperadas.

Eu acompanhei Lost, do começo ao fim, e fiquei sim desapontada com a forma como terminou - não porque eu queria explicações detalhadas, mas porque acho que os criadores focaram muito na historia que eles ja tinham na cabeça e esqueceram que o publico não estava ali, dentro da cabeça deles também, entendendo todas as opções e acontecimentos que cercavam os personagens principais.

Enfim, a serie acabou, ficamos todos a ver navios, alguns mais #chateados que outros, mas assim é a vida... 

Então, começou o Leftovers - e eu me recusei a assistir ate que... o momento chegou: eu liguei a TV num daqueles fins de semana que não queremos pensar em nada, so relaxar, e pronto - rolou aquela conexão.

Em algumas semanas, assisti TUDO (!!!), pensei, repensei, teorizei, pesquisei, e enfim, senti todos os sentimentos que são legais de sentir, mesmo que so de vez em quando. Não que a vida real não traga esses sentimentos a tona, mas é que as vezes estamos cercados de noticias de política, economia, terror, sociedade, etc que ignoramos todas essas outras coisas que moram dentro da gente, que são tao antigas quanto a vida, porque se voce esta vivo, voce sente essas coisas. Voce sente angustia, amor, medo, felicidade, etc, não so porque voce esta reagindo as noticias do mundo, mas por causa de coisas que acontecem com voce, e diretamente, a voce: perder algo ou alguém, beijar um beijo apaixonado, encarar um silencio mais prolongado, enfim... entenderam né?

Nao quero ser muito poética... so dar uma dica, uma dica quente: se voce curte sentir esses sentimentos assim, de vez em quando (ou sempre), tai uma historia que vai te emocionar...  

(e a trilha sonora é uma espetáculo a parte!)






sábado, 29 de abril de 2017

Títulos, carreiras e importancias




Quando cheguei na América e resolvi abandonar a carreira jurídica, muita gente me questionou - tipo, muita. Eu estava fresquinha do meu mestrado na Italia, com um ano e quebradinhos de experiência como professora de ensino superior, e um mundo de possibilidades de carreiras, especialmente acadêmicas... Mas não quis nada disso: virei as costas, e não olhei mais pra trás.

Formatura de Letras - porque eu ja queria fazer varias coisas ao mesmo tempo desde sempre.


E aqui, comecei a trabalhar integralmente com turismo. E me apaixonei. Acho que todo mundo sabe disso - e vê, hoje em dia, que eu estou feliz com a escolha profissional que fiz.

Minha primeira temporada como guia, em NYC, com minha passageira preferida: minha prima!


Mas nas indas e vindas de interação social, tem uma cara-careta que as pessoas fazem que é digna de estudo antropológico: quando respondo qual é a minha profissão.

Se voce trabalha num meio de exatas ou biomédicas, talvez você não sinta tão na pele essa emoção, mas a galera de humanas sofre... Turismólogos, biblioteconomistas, sociólogos, dentre outros, apesar de terem formação universitária tão superior quanto aos outros colegas de canudo na mão, são normalmente a piada da mesa. E quando eu falo que trabalho com turismo, a frase sequencial é "Hum... que delicia! Você deve viajar muito!"

Sim, viajo. Viajo porque gosto, viajo como hobby mas definitivamente não viajo tanto a trabalho. Conheço engenheiros que viajam o ano inteiro. Médicos que não saem de convenções e conferencias. Mas eu mesma, normalmente viajo, mesmo que a trabalho, pouco - se comparado com outras carreiras. E detalhe: ja gostava, e ja viajava, antes - muito antes, desde sempre...

Muito antes de trabalhar com turismo, estava eu viajando em Buenos Aires, quando avistei o belíssimo prédio da faculdade de Direito...

Meu trabalho tem uma parte técnica também. Confesso que com a integração entre tecnologia e vida, hoje em dia, é difícil pensar num trabalho que não tenha uma parte técnica, especialmente conectada a informação. Mas o tipo de habilidade que o meu trabalho requer vai alem das tecnicidades: preciso de 1) criatividade; 2) habilidade de negociação; 3) muita, mas muita, disciplina. Apesar de ter um chefe, eu não sou gerenciada no meu dia-a-dia: faço o que eu achar que tem que ser feito. Recebo ordens de projetos específicos, e tenho prazos de entrega, mas como meu papel envolve desenvolvimento de produto, minha principal função é criar e conectar.

E eu tenho um titulo: sou gerente. De operacoes e desenvolvimento. Mas acho esse titulo uma bosta. Mas dado o fato de que algumas pessoas so vão atender o telefone ou responder meus emails se eu tiver um titulo relativamente importante, então, me deram esse ai.

Apesar da descrição total e completa em primeira pessoa, esse post tem mais a ver com duas reflexões: 

1) Títulos e carreiras: se voce pudesse ser/fazer qualquer coisa, qualquer uma, qual seria? O que você faria? Sabe quando você pergunta isso pra crianças, que não tem noção de status social, hierarquias, etc, e elas respondem "bailarina!", "astronauta!", "lixeiro", etc... Essa é a resposta mais genuína que podemos receber... Então, entra ai em contato com sua criança anterior... e pensa... de verdade: o que você gostaria de estar fazendo profissionalmente que te traria felicidade/prazer como se fosse um hobby?


2) Importancias: se voce não esta na sua carreira dos sonhos, se você todo dia trabalha e não esta feliz, o que esta te separando da vida que vai te trazer felicidade? E se você esta feliz, você esta feliz por que? O que é realmente importante pra você?


Pensem ai... Eu penso nisso com uma certa frequência, é dessas reflexões que nascem vontades de fazer cursos, escrever, mexer no jardim... mesmo que eu não mude completamente de profissão (ate porque, agora, não quero), tenho sempre os "colaterais" que me trazem muita alegria... E o negocio, no fim das contas, é ser feliz né?





segunda-feira, 24 de abril de 2017

O que aprendi na Tailandia



E nao é que fomos parar na Tailândia mesmo?

Na praia de Phi Phi, num dos muitos passeios a pé que fizemos com esse cenário...


Até agora estamos tentando assimilar a experiência que foi essa viagem, e quando comecei a escrever aqui, pensei em narrar a viagem assim como ela aconteceu... E apesar de termos conhecidos varias pessoais legais, termos dicas praticas boas, e podermos explicar tecnicamente vários pontos da viagem, o fato é que essa foi uma experiência muito além do entrar no avião com amigos e roteiro... Então, se voce esta esperando um post "guia", sinto desapontar, mas não sera esse...


Pronto! Uma foto de um mapa colorido pra nao desapontar muito as pessoas...

Em seu especial do Netflix, Trevor Noah fala que "viajar é o antidoto da ignorancia", e recomenda que todo mundo viaje muito. Eu sempre gostei de viajar, mas confesso que sempre visitei destinos "seguros", e apesar de ter um espirito (relativamente) aventureiro, eu sou rápida a me entregar a uma ideia de cruzeiro nas Bahamas ou all-inclusive resort no Mexico: a vida simplesmente fica mais fácil assim - essas são as viagens de férias que eu considero FÉRIAS.

Curtindo um "dolce far niente" em Cancun...


E ir pra Tailandia nao foram essas férias ai de cima: acordei cedo praticamente todos os dias, suei nas caminhadas, nos tuk-tuks, nos barcos, esperei em muito aeroporto (e porto), ficamos em hotéis semi-comfortaveis, tivemos que decidir o que comer (e onde comer) todos os dias 3 vezes ao dia... Enfim, essas coisas que quando voce esta de férias "pernas pro ar" normalmente voce não se preocupa...

Mas essa dinamica trouxe coisas boas. Muito boas. Umas delas foi que acabamos explorando lugares e tendo tempo para analisar algumas coisas com calma, que se estivéssemos no esquema resort-relax, não teríamos explorado. Exemplo: numa das esperas de aeroporto, resolvemos entrar numa farmácia. E foi ai que li (ou tentei ler) com calma os rótulos de muitos cosméticos que as asiáticas de maneira geral usam. 70% deles tem como objetivo clarear a pele. Os outros 30% são dedicados a evitar/tratar acne, envelhecimento e promover hidratação. Muitos deles contem ingredientes como veneno de abelha ou de cobra, muco de lesma (mucina), pérola, caviar...






Eu me senti MUITO segura. Apesar das ruas cheias nas grandes e pequenas cidades, da pobreza evidente, bem como diferenças sociais, o povo tailandês é muito educado, e a violência não parece ser uma realidade do dia-a-dia deles. Estivemos em festas com mais  de 50 mil pessoas, muito álcool e muita oportunidade para brigas. Não vimos nenhuma. As pessoas simplesmente parecem ter uma natureza pacifica. 

Estivemos nessa festa (Full Moon party em Koh Phangan)

E estivemos nessa festa (Songkran na Khao San Road, em Bangkok). ZERO CONFUSAO
Pelo que entendi, muito disso se deve a religião: a maioria dos tailandeses são budistas, e por isso, acreditam em karma - se voce fizer algo com alguém, bom ou ruim, o mesmo vai voltar pra voce... Interessante ne? Essa lição foi meio dura, porque sempre acreditei que um dos problemas de violência no Brasil era devido as injustiças sociais, mas como explicar a violência num contexto de pais que se diz religioso? A maioria esmagadora de brasileiros acredita em Deus e pratica uma religião crista... E os pecados? E as consequências de quem pratica a violência? Porque não pensamos da mesma forma que os tailandeses?



Outra coisa incrível: Conrado e eu nos conectamos nível oitavo-dam-faixa-preta-dupla. Não sei se era o fato de simplesmente não entendermos nada do que estava ao nosso redor (não so a lingua deles é outra, como o alfabeto também), e tudo ser novo e misterioso, mas alguma coisa aconteceu que clicou nas nossas cabeças e ficamos muito unidos. Mas sem forçação de barra: estávamos simplesmente curtindo as coisas juntos, meio que em piloto automático, e num dado momento percebemos quão conectados estávamos um com o outro. E notem que não estávamos no lugar mais romântico do planeta - sim, estávamos la pra um casamento, cercados de casais - mas os momentos onde a coisa veio a tona mesmo foram tão aleatórios e não-programados que acabaram chamando nossa atenção... Não tivemos nenhuma conversa profunda, nenhum momento de catarse, nada disso: parece que estávamos ambos presentes. Não estávamos focados no passado, nem no futuro. Estávamos ali. Naquela hora. Naquele momento. Juntos. Eu, que pratico yoga, tento meditar e sou familiarizada com a pratica de mindfulness fiquei boquiaberta com a naturalidade como as coisas aconteceram... O que aprendi: deixa vir. Deixa fluir... Nenhum esforço de concentração é necessário pra viver no presente...

Num dos muitos voos, apenas sendo felizes juntos...


Outras coisas que também foram aprendizados muito marcantes:

Elefantes
Nao so os elefantes que vimos, mas o simbolismo: o elefante esta em todos os lugares - cervejas, templos, souvenirs, tudo. As razoes são religiosas também, pelo budismo e hinduísmo, mas mesmo quem não sabe muito sobre eles, sabe isso: trata-se de um animal encantador. Um gigante de cara mansa. Um bicho que poderia destruir tudo se quisesse, a patadas, mas ao invés disso, se comporta pacifica e calmamente... Ja entenderam a lição né?

Lembrancinhas com elefantes que trouxemos para nossa casa...

E lembrancinhas para amigos...


Flores e cheiros
Eu sou chegada numa interação com a natureza, e reparo muito nas cores e cheiros. Na Tailândia, essas cores e cheiros são espetaculares. Você sente o aroma de jasmim ate nas zonas urbanas. Arvores de frangipani são tao comuns quanto castanheiras. Orquídea é mato: tem em todos os lugares. Eles usam muito incenso a base de sândalo, e colocam esses incensos acesos nos jardins e templos em frentes as casas, confundido um pouco nossos sentidos: de onde esse cheiro tao único vem? Não pode ser dessa flor! Não pode ser desse jardim! E ai voce vê a fumacinha e se da conta do incensinho queimando la no meio... Ao mesmo tempo, no mesmo passo que voce sentiu aquele cheiro maravilhoso, vem um cheiro forte de fritura ou de esgoto, e no proximo passo cheiro de flor novamente... Esse contraste me fez relembrar o quanto os contrastes são importantes: o que adianta sentirmos so cheiros deliciosos, sem termos conhecimentos dos cheiros ruins? Sem a dicotomia, não conseguiríamos apreciar - não conseguiríamos nem reconhecer! - o que é bom...



Sabores
A gente ja comia comida tailandesa aqui nos Estados Unidos, então não estávamos completamente despreparados: sabíamos bem o que pedir e o que comer. Mas como ja podíamos imaginar, a comida local tem um enoooorme diferencial - os ingredientes locais. Aqui, comemos tom kha ou pad thai deliciosos, mas na Tailândia... Os sabores são mais frescos, talvez porque alem dos ingredientes 100% locais e naturais, eles vem acompanhados da vibe local. Um fator super positivo: com minha dieta pescetariana eu me dei super bem, ja que por la não faltam frutos do mar e peixes, bem como o melhor tofu que ja experimentei, e muitas frutas deliciosas. A dieta deles é super balanceada, as pessoas tem aquela disposição em tempo integral que nós, comelões do ocidente, parece que estamos perdendo com nossas comidas envenenadas e em porções exageradas...

Tom Kha é essa sopinha a base de leite de coco... Normalmente feita com frango, eu pedia a minha so com vegetais ou com tofu...
E esse Pad Thai de camarão era meu prato básico: comi quase todos os dias.


E logico: frutas frescas... deliciosas!


Eu sei que nao estou fazendo jus a todas as coisas maravilhosas que vivemos, mas como falei no começo, essas são coisas que aprendi, que não sabia antes (ou tinha esquecido), mas que so vivi porque estive la, em primeira pessoa, sentindo essas sensações, tendo esses momentos... Minha única recomendação é: visite.





quinta-feira, 16 de março de 2017

Love yourself




Ontem gravamos um video pra uma matéria do Folha Vitoria (para le-la, clique aqui), e eu fiquei abismada com o tamanho das minhas bochechas!


Síndrome de Fofao, é isso mesmo?



Eu sempre fui bochechuda (e tenho espelho em casa), mas no video, talvez pelo angulo da filmagem, meio de baixo pra cima, o negocio ficou ainda mais ampliado...


Esses dentinhos... melhor que a bochecha!


O fato é que não importa quanto eu malhe, as bochechas permanecem ali, rechonchudas... E eu ja emagreci a ponto de emagrecer ate as bochechas, mas isso tem tempo e nem sei mais se seria possível atingir tao feito a essa altura do campeonato...


E acima de tudo: eu não sei se eu quero.


A situação é a seguinte: eu estou sim fazendo uma dieta especial, mas que tem muito pouco a ver com a ideia de perder peso. Quando decidi virar pescetariana foi uma escolha de saúde e filosófica: saúde porque cortaria frangos e carnes que tem muito hormônio, antibióticos dentre outros tratamentos químicos que não são bem vindos; e filosófica porque se eu não tenho coragem de matar, eu não deveria comer... (tem mais razoes filosóficas, mas ficaremos com essa razão apenas que é a principal)



E tem saído uns pratos gostosos...

Apesar d'eu ajustar a dieta constantemente para assegurar que esta balanceada, eu não me preocupo tanto com o numero de calorias, porque acredito que se a dieta estiver balanceada, as calorias por consequência, também estarão. Por exemplo, na refeição da foto tenho meu carboidrato vindo do arroz, a proteína do peixe e vitaminas A, B6, C, K e um monte de biotina, dentre otras cositas mas do tomate. Ah, mas tomate tem muito açúcar. Arroz é muito calórico... blábláblábláblá.... Sim, tem também outros pontos que devem ser levados em consideração, e é por isso que eu citei a questão da dieta ser balanceada. Eu não estou ignorando a contrapartida dos alimentos que estou consumindo, so tenho tentado atingir um equilíbrio que vai beneficiar não so meu corpo, como também, minha cabeça...


E ai sim entra a polemica do meu ponto de vista: eu nao sou magra. Nunca fui. Eu não estou aqui pleiteando uma dieta ou uma forma de vida pra quem quer emagrecer. Minha opinião aqui é simplesmente para ilustrar o tema do amor próprio... 


Por muito tempo, eu acreditei que eu precisava ser de um certo jeito, ter uma certa aparência, um certo conteúdo, pra ser aceita, amada, querida. E a grande verdade, é que isso não é uma parada que vem da mídia, das modelos, do alem: muitas vezes, vem de casa, dos amigos, de gente que a gente confia e gosta. Os parâmetros de beleza que todo mundo reclama que são impossíveis, são alimentados por quem os consomem. Quem vende simplesmente ajusta o marketing pro mercado... 





E nao é que eu esteja de braços abertos pra qualquer formato que meu corpo tome: não estou. Eu malho pra xuxu, tento comer relativamente bem e não quero sobrepeso. Mas hoje em dia, o meu foco, é saúde. Então  se meus exames estão voltando supimpa, o numero da balança fica sendo apenas um colateral, e o formato do corpo - e das bochechas - é apenas isso - o formato... Eu aprendi a não me torturar pra querer ter shape de modelo de Victoria's Secret...


Sim, eu também acho que as vezes eu sou parecida com a Adriana Lima, afinal ela também tem bochechas...  Mas o resto... quanta diferença... e ta tudo bem. Ela é ela, eu sou eu ;)


Sim pessoal, porque fora as dietas malucas, os riscos de saúde que ja corri querendo ser fininha, dentre outras desventuras, tem ainda o fato de que a maioria das mulheres não esta satisfeita com o próprio corpo. Simples assim. As modelos, as atrizes, as reles seres humanas, todas, estamos sempre correndo atras de um prejuízo inexistente, de uma missão impossível de ser uma outra coisa que não é factível.


Exhibit A: olha a "sosia" ai saindo da academia... A luta é diaria!
E apesar de achar que eu estou muito longe de me livrar desses ideais impossíveis (vide a minha critica na primeira foto das bochechas gigantes), hoje em dia eu pelo menos paro, penso e tento tratar dessas celeumas com bom humor...

É preocupante pensar que assim que vi o video lembrei que no Brasil tem uma onda de bichectomias acontecendo... E também lembrei que o Brasil é recordista de cirurgias plásticas, com tantas lipos e implantes de silicone... Não acho que isso seja muito normal... Não é todo mundo que precise disso... E se voce fez, quer fazer, ou assim como eu, ja cogitou a hipótese, eu quero deixar claro que não tenho NADA contra. Se voce quer ter um certo corpo, e é isso que vai te deixar feliz, vai fundo.

Mas o lance é exatamente esse: SER FELIZ.

E ser feliz vai alem do visual... Vai alem de padrões ou ideais ou delírios de se parecer com uma supermodel... Eu nao sou infeliz por causa das minhas bochechas, então  de cara, ja cortei a hipótese de cirurgia... O susto ficou mais porque elas não refletem a imagem da capa das revistas, ou mesmo, do rosto da maioria das minhas amigas... 

Porem, hoje, isso pra mim não é problema. To de boa. To me amando.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Eu vim do lixo





Quando eu era criança, bem pequena, meus pais falavam que me acharam no lixo. Acho que devia ser algum mecanismo pra me obrigar a fazer alguma coisa... Tipo, "o homem do saco" ou "a cuca"... 

Vcs lembram do Sujismundo? Eu assistia aos slides (!!!), e quando meus pais falavam que eu vim do lixo, eu so pensava nele... todo fedorento, no meio da porcaria...



Mas eu lembro que quando eles falavam que eu vim do lixo, era um negocio que me deixava triste: era so eles falarem que me acharam no lixo, e pronto, eu ja queria chorar... 
(E ate onde eu sei, eu nem era muito chorona!)


Mas a real reflexão sobre isso é que as vezes eu sinto que vim mesmo de outro lugar... Lógico que tenho semelhanças com meus pais - eu tenho traços de personalidade dos dois, e sou claramente o ctrl+c, ctrl+v do meu pai:

Alguma duvida?


Enquanto crescia, eu tive muito input dos meus pais: dos valores ate o que eles comiam, como se vestiam, como falavam, os lugares que frequentavam, etc... Mas como estudei em escola integral, eu convivia mais com meus coleguinhas e professores do que com eles. E durante a infância e adolescência as diferenças não se materializam tanto, porque voce ainda esta no reino "pai e mãe" (ou so mãe, ou so pai, ou avos)... Elas certamente se manifestam, porem não se concretizam... 


Movida a Legiao Urbana, Antonio Banderas e espinhas...



Mas o afastamento fisico durante a fase formativa, e depois o sprint que eu fiz na transicao da vida adolescente pra adulta, acho que causou praticamente um abismo entre eu e eles: hoje em dia, eu sou uma pessoa praticamente OPOSTA a quem meus pais são como adultos.




Vale aqui um esclarecimento: sim, a gente se da muito bem. Sim, temos muitas semelhanças  Sim, é possível que vcs ja tenham visto varias fotos das nossas aventuras em familia, o que nos faz parecer a familia firim-fim-fim mais fim-fim que voce ja viu. 




Sim, meus pais moram na casa ao lado da minha. 


Nossas casas, na epoca da construção: não foi uma coisa casual não... foi planejado pra ser assim mesmo...

Mas isso não quer dizer que os comportamentos, gostos, vontades, savoir-vivre são os mesmos... Nos somos muito diferentes. Emocionalmente, comportamentalmente, socialmente, cosmicamente...


Hoje, bem grandinha, considero que quando minha mãe tinha a minha idade atual ela ja tinha 2 (!!!) filhos: eu com quase 15 anos, prestes a entrar na faculdade, e meu irmão com 10... Eu não penso em ter filhos... do tipo, não quero. 


Meus pais mal bebiam uma cervejinha. Pra não dizer que não bebiam nada, papai tomava um whiskynho a noite. Eu sou sommelier boemia e o consumo de álcool é parte da minha vida profissional e do meu lazer. 

Não sou de negar uma bebidinha doce...


Eu vivo em ritmo de festa, estilo se-joga-no-mundo, vamos-gastar-depois-a-gente-da-um-jeito, o-que-sera-que-tem-ali, etc; e ja meus pais, well, eles so vão no certo. Programado. Menos arriscado. Conservador. Again, não é que eles não vivam as aventuras deles e que eu seja irresponsável, mas no fim das contas, a percepção pode ser mais ou menos essa mesmo... 

Eu gosto de estar num show de rock no meio de 40 mil pessoas...


Enfim, posso listar nossas milhões de diferenças - que so aumentam a medida que vou ficando mais velha... Mas é a primeira vez, em 3 décadas e meia de vida, que chegar a conclusão de que sim, talvez eu tenha mesmo  vindo do lixo is ok by me... Não me da vontade de chorar. Aprendi que ser diferente, meio fora da forma, ta beleza também. O clichezao do dia, ta mesmo valendo: o importante é ser feliz... 


From the trash, with love... 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Relax






Estou acompanhando os acontecimentos no Espirito Santo, e entre a onda de violência e a sensação de que as coisas não melhoram (nunca), da pra perder um pouco a alegria de viver... Como minha familia sempre esteve envolvida na area de segurança, saber que o potencial para algo assim acontecer (na escala que esta acontecendo) sempre foi um fato sabido na nossa casa. Mas isso não soa como novidade para nenhum de nos: sabíamos que nas periferias a coisa sempre esteve tensa... A diferença é que não chegava na area onde vivíamos da forma como chegou agora... Apesar de ser normal ouvir sobre sequestro relâmpago, assaltos, e ate um ocasional assassinato nas vizinhanças mais nobres de Vitoria e Vila Velha num fim de semana, isso não era nada se comparado com o que acontecia na Serra, Cariacica, Viana no mesmo período de tempo...

Enfim, o fato é que agora esta todo mundo trancado em casa: o comercio esta fechado, as escolas não estão funcionando, etc... E não é legal alimentar o medo: apesar da terrível realidade, o melhor é  manter a calma, mentalizar um mundo melhor, pensar no que (NOS) podemos fazer (individual e coletivamente) para mudar essa realidade...

Existe uma expressão em ingles chamada "cabin fever" que traduz-se com a idea de que as pessoas que ficam muito tempo confinadas, as vezes ate se adoentam, porque estão em espaços limitados, sem poder sair... E se as coisas ja estão ruins do jeito que estão  ainda por cima ficar doente não seria legal...



Eu, que sou chegada numas praticas zen, estou com Frankie e digo: relax



Não relax no senso "deixa pra la". Mas relax no sentido "mantenha a calma", "mantenha o foco", "mantenha o centro".

E o que fazer para RELAX??? Well, segue uma listinha de coisas que acho que ajudam:


1) Ouça musica

Eu sei que nem toda musica propicia um relaxamento profundo (alo alo Iron Maiden!), porem existem varias trilhas sonoras que te ajudam a respirar, que tiram sua mente das incertezas do momento... E não estou falando so de Enya, Yanni, e musicas de meditação não... Tem muito MPB do relaxamento por ai... Chorinho por exemplo: eita sonzinho bom pra deixar a mente vagar... Eu sou fa incondicional da trilha sonora do Amelie Poulain: fica na minha categoria "musica que deixa tudo mais fácil"

Claro, e quem sabe, faz ao vivo: pega sua viola (ou outro instrumento musical que vc saiba tocar) e deixe rolar!

Uma favorita da trilha sonora de Amelie



2) Alongue

Eu poderia simplesmente colocar "pratique yoga". Porem muita gente se perde no conceito da pratica, então vou dizer simplesmente: alongue. Estica e puxa: em pe, tente colocar a mao nos pés. Respire fundo enquanto em pe, expire quando for tentar abaixar... Va tentando chegar mais longe... Colocar toda a palma da mão no chão... Não é fácil. Ou simplesmente, renda-se a pratica:




3) Jogue um jogo

Se eu pudesse, passaria varias horas do dia "brincando". Adoro uma trivia, um quebra-cabeça, jogo de tabuleiro... Se voce não tem NADA em casa, da pra fazer uma a-de-do-nha com papel e caneta. Ou da pra baixar aplicativos de jogos no celular (como o TESTA ME). Ou se voce tiver aquele quebra-cabeça de duas mil pecas esperando uma oportunidade, well, voila! Chegou a sua vez!





Outras atividades, técnicas e opções, existem. Essas 3 são  normalmente as minhas primeiras escolhas quando preciso descansar a mente, e prepara-la para outras coisas que vão exigir de mim atenção e foco. E não se enganem: após essa "tempestade", muitas mudanças terão que acontecer, e elas dependerão dos esforços de cada um... Mas enquanto esse momento não chega, just breathe...


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os primeiros 10 dias...




E Trump é o presidente americano ha 10 dias. 

Dentre outras coisas, o pior ate agora definitivamente foi fechar o pais para refugiados e imigrantes de certos países muçulmanos.

Eu fico #chateada porque muito rapidamente ele esta radicalizando numas coisas que teriam que ter um freio, um controle do congresso, do legislativo de maneira geral... Porem ao mesmo tempo fico feliz porque 1) quanto mais cedo ele pirar, mais cedo nos veremos livres dele (ou da maluquice dele), 2) as pessoas estão reagindo e não deixando passar em branco a indignação e o descontentamento com essa forma de governo.

E digo "forma de governo" porque forma de pensamento é outra coisa: somos livres para pensarmos o que quisermos e termos nossas opiniões particulares sobre como lidar com o mundo. Mas no âmbito publico é preciso ter comedimento e deixar as vaidades de lado... Eu discordo profundamente do que ele esta fazendo, mas entendo o apelo que isso tem em certos meios mais, ahn, digamos, "brancos" aqui nos EUA... Mas os protestos e o desconforto geral mostram que essa não é a opinião de todo mundo, e isso me da um certo alivio e enche meu coração de esperança.

Como imigrante que sou, quis fazer minha parte com esse post, e escolhi alguns dos melhores cartazes de protesto que achei por ai:










There is hope...